Caraíva: Vilarejo Pé na Areia, Praias e Experiência Indígena

Quem está precisando de paz encontra refúgio certo em Caraíva, vila no litoral sul da Bahia aonde se chega após pequena travessia feita por barqueiros em canoas. Ali, além de não haver carros, praticamente não pega celular (mas, para alívio dos que ficam com síndrome de abstinência, as pousadas em geral têm wi-fi). E o chinelo ocupa o posto de calçado mais adequado, porque as ruas são todas — o que corresponde a uma meia dúzia de vias — de areia fofa: é como andar na praia o tempo todo.

A luz elétrica, que vem de casas, restaurantes, lojas e pousadas, aparece com parcimônia. Não há postes, e a fiação, subterrânea, deixa a paisagem livre de poluição visual. Mas a segurança, mesmo no escuro ou à meia-luz, é de impressionar quem vive nos grandes centros urbanos.

Vida noturna

Outra curiosidade do vilarejo, que faz parte da chamada Costa do Descobrimento e é vinculado ao município de Porto Seguro, fica por conta da vida noturna. Se fizerem a velha pergunta “Qual é a boa?”, a resposta (além do Beco da Lua, com seus diferentes pontos de comes e bebes, sua música e badalação) é a programação de forrós —com entradas a R$ 30 para moradores e R$ 50 para visitantes.

O inusitado é que eles acontecem mesmo só a partir da 1h. Há quem diga que isso se deve ao “fuso horário da Duca”, personalidade muito popular e um ícone do vilarejo. Com o nome de batismo de Maria do Carmo Maciel Soares, Duca — que é gaúcha, foi morar em Caraíva em 1976 e completa 88 anos dia 13 de novembro — explica sua rotina, que deu origem ao tal “horário local” e já é por si só uma boa dica para turistas:

— Durmo às 16h e acordo às 21h ou 21h30. Aí vou no Quadrado (assim como no famoso Quadrado de Trancoso, uma espécie de praça — emoldurada de um lado pela igreja, datada de 1530 — que é o centro da vida local), onde fico no samba do Bendito Bar, muito gostoso. E às 23h sou a primeira a chegar no forró, que à 1h30 está muito cheio. Então paro de dançar e vou embora e começo a trabalhar às 2h da madrugada: faço pão, comida e preparo o café, para abrir às 7h da manhã.

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Canto da Duca

O Canto da Duca é, de acordo com a descrição da dona, um restaurante vegano, mas com opções vegetarianas como café da manhã completo que inclui leite, queijo, manteiga, iogurte, fruta e granola, e dá pra dois, por R$ 35. O endereço oficial é Rua Sete de Setembro, mas ela batizou o logradouro como Alameda das Estrelas, o que pode servir também como descrição de suas pinturas, quase onipresentes em Caraíva.

Igreja datada de 1530 de Caraíva — Foto: Divulgação/Leonardo Barreto
Igreja datada de 1530 de Caraíva — Foto: Divulgação/Leonardo Barreto

Quando chegou à vila nos anos 1970, Duca acabou substituindo um enfermeiro no posto médico local que lhe disse que não precisava de especialização para a vaga porque “ninguém adoece em Caraíva” e depois ganhou a vida dando aulas e vencendo concursos de lambada em Porto Seguro. Mas é a formação em veterinária, que ela cursou em Santa Maria (RS), a marca de um lado seu que já foi responsável por vaquinha on-line para resgatar animal explorado e que serve de dica de comportamento em Caraíva.

Não se deve andar de carroças puxadas por animais; o ideal é que elas sirvam somente a pessoas com deficiência. E de preferência, para quem não quiser carregar a própria mala (o melhor é evitar as de rodinhas e optar por mochila), a solução é conseguir alguém que preste o serviço usando carrinho de mão.

Cultura Indígena

Afinal, ali no pequeno vilarejo cercado por rio, mar e reserva indígena, só é necessário recorrer a meios de transporte se o visitante for para atrações mais afastadas, como o Centro Cultural Pataxó Porto do Boi, a seis quilômetros do centro de Caraíva. Para chegar lá, as opções são buggy ou, melhor ainda, barco pelo Rio Caraíva, o mesmo que se atravessa para chegar à vila.

A experiência indígena (R$ 100) tem atrações como ritual com dança e canto, que reflete o sincretismo tão brasileiro, com menções às religiões católica e de matriz africana; banho de ervas; pintura corporal; cerimônia com uso de rapé; e almoço com peixe (normalmente, guaricema) assado na palmeira, farinha e banana-da-terra.

Centro Cultural Pataxó Porto do Boi em Caraíva — Foto: Cláudia Amorim
Centro Cultural Pataxó Porto do Boi em Caraíva — Foto: Cláudia Amorim

Anfitriões

Lá, há anfitriões como Pacari Pataxó, que ensina que “o jovem, estando tanto no mundo tecnológico e se desconectando da mãe natureza, vai perdendo a essência da vida. E passa muito tempo na internet, acumulando a energia dos grupos no WhatsApp, que atrapalha”. Ou Tatu Pataxó, que destaca que eles ali valorizam muito os mais velhos, que é uma grande perda quando eles se vão. Tatu pede então que os ouvintes cuidem dos idosos, fala da importância dos pais e conclui:

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— Podemos ter cultura diferente, mas o sangue é o mesmo, somos iguais, vivendo num país desse, onde os poderosos só pensam em si — diz. — Temos a mesma luta, a mesma causa, salvar a mãe natureza, por causa da ganância do ser humano.

Os anfitriões também mostram armas que eram usadas pelos pataxós nos conflitos com os botocudos, e que não foram suficientes para defendê-los dos colonizadores. Na loja local, entre muitos objetos (parte deles vendida também no centro de Caraíva, por habitantes que fazem desse comércio sua única fonte de renda), é possível comprar ainda diferentes tipos de rapé.

Uma das personalidades mais queridas de Caraíva é o escritor Sairi Pataxó, autor que reuniu muitas histórias locais em seu livro “Boitatá e outros casos de índios” (Terra Redonda Editora, 136 páginas, R$ 58).

Mais Diversão

Caso a visita ao Centro Cultural Pataxó tenha sido feita de barco, uma viagem que dura aproximadamente meia hora, o visitante pode na volta aproveitar uma experiência relaxante num dos programas que mais conquistam visitantes no vilarejo: ser conduzido lentamente em cima de uma boia até a barra, onde o Rio Caraíva encontra o oceano.

Se a ideia for, em vez do banho de rio, o banho de mar, uma boa opção de almoço de frente para o Oceano Atlântico é o restaurante Manga Rosa. E, mais tarde, para quem estiver atrás de jantar ou bons drinques — ou cerveja, ou a bebida local (recomenda-se não deixar de experimentar o Netuno, todo trabalhado no gengibre) —, o Quadrado, que ganhou há pouco tempo o pub Krug, e a rua que desce dali e vai beirando o rio, com opções como o bar e restaurante Comune, são a pedida.

Casario de Caraíva — Foto: Cláudia Amorim
Casario de Caraíva — Foto: Cláudia Amorim

Tranquilidade que seduz

Como em Caraíva é comum encontrar quem foi a turismo e ficou de vez, há no casario colorido, além de multimarcas com nomes que estão nos principais shoppings do país, atrações como o Atelier de Aquarela Sophie Alves, francesa que, segundo se informa na loja, se divide entre Paris e Caraíva.

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Nessas caminhadas pelo vilarejo, chama a atenção, vindo de um estabelecimento comercial ou outro, algo que remete novamente ao que pode significar paz para alguns, aqueles mais sensíveis aos sons: a trilha sonora generalizada na Vila de Caraíva é MPB.

Outros indicativos que apontam para a tranquilidade local estão expressos nos avisos ao se chegar ao povoado: “Preferimos o som do mar, são proibidas caixas de som em espaços públicos”; “Seja responsável pelo lixo que você produz”; e “Não faça xixi na rua, no rio ou na praia”, entre outros.

Os brasileiros também…

A 70 quilômetros do aeroporto de Porto Seguro (via BA-001, isso para quem não quiser ir de lancha passando pelas paisagens de Trancoso e Praia do Espelho), fica a chamada Caraíva velha. Tem 1.500 habitantes, contando as reservas indígenas, tem recebido, de acordo com a Secretaria de Turismo da Bahia, cada vez mais turistas estrangeiros.

Os brasileiros não ficam atrás. A mineira Bruna Zamboni, por exemplo, de Araguari, visitou Caraíva e, há um ano e meio, fixou residência na vila. Biomédica, ela inicialmente teve a ideia de levar para o vilarejo o serviço com que trabalhava em Minas: harmonização facial.

— Mas não deu certo — conta Bruna, que agora é a responsável pela pousada Aroeira e oferece atrativos que fazem mais sucesso em Caraíva do que procedimentos estéticos, como os bolos, tapiocas e outros quitutes no café da manhã aberto, sob reserva, a não hóspedes também.

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